Viagem estranha.
Esta é só mais uma história veridica e que a maioria dos leitores vai dizer "Ouça lá, quer levar um estalo? Vá mazé gozar outro..."
Mas não.
O que vou contar a seguir aconteceu mesmo mas não tenho mais testemunhas... Acreditem se quizerem, senão, bem podem chuchar no gamardo.
Ora, era um fim de tarde de Inverno, um temporal imenso e uma auto-estrada molhada. Eu ia no meu carro, na dita auto-estrada, quando, depois de ter passado as portagens da maia, no sentido sul-norte na A3, me deparo com um engarrafamento e com o transito parado. Abrando e paro o meu carro. Quando me preparo para arrancar de novo, alguém me bate por trás. Eu fico a pensar que tenho a traseira toda amassada e que fiquei com a viagem estragada e esse tipo de coisas.
Saio do carro, e olho para a traseira quase intacta do meu carro, com a excepção do pára-choques que tinha sido perfurado pelo gancho de reboque do camião de mercadorias que me atingiu. Acontece que o dito estava carregado de tralhas, vinha a aumentar a velocidade e ao travar derrapa e bate no meu carro.
Depois de terem sido trocados os contactos para preenchimento furturo da declaração amigável, cada um segue a sua viagem.
Isto até não é muito anormal.
Mas quando eu, já fora da auto-estrada, me engano na saida e me meto por uma estrada nacional, completamente vazia, escura, coberta de folhas. No meio daquele temporal, a estrada parecia o cenário de um filme de terror. os faróis só iluminavam a cerca de 50-100 metros à frente, com folhas a passar em frente aos faróis com a ventania.
A dada altura, está um homem, sozinho, de pé no meio da estrada. Eu assinal a minha presença mas ele não se desvia. Quando me aproximo, reparo que ele está a bater violentamente na própria cabeça com os punhos. Àquela luz parecia mais um filme de zombies. Ele não se desviava por isso eu viro para a esquerda para o ultrapassar, mas estava numa espécie de lomba e quando estou a regressar à minha faixa, um carro vem na minha direcção a grande velocidade e não me bate por muito pouco.
Não sei como me devia ter sentido, depois de tanta coisa, mas eu só me ria, quem sabe na cara da morte, mas só era capaz de me rir.
Agora acreditem se quizerem, mas é verdade.

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